Você provavelmente já ouviu falar das criptomoedas, não é mesmo? Esse assunto tornou-se bastante popular nos últimos anos devido à valorização desses ativos. Contudo, a inovação tecnológica por trás das moedas digitais — chamada de blockchain — também merece a sua atenção.

Apesar de parecer um assunto complexo, o uso de blockchain pode solucionar muitos problemas comuns em nossa sociedade, como a falta de acesso aos serviços financeiros, a demora na realização de transferências de capitais e a falta de segurança dessas atividades.

Se você quer entender como as criptomoedas e o blockchain estão revolucionando o mercado financeiro, basta ler este artigo até o final!

A necessidade de credibilidade

Em 2008, o mundo todo estava diante dos desafios impostos pela crise econômica norte-americana. A falência do banco Lehman Brothers levou os Estados Unidos à sua maior recessão desde a crise de 1929, aumentando o número de desempregados e criando um cenário desolador para o futuro.

Ao mesmo tempo, os países emergentes se viram diante da redução de investimentos internos e externos, o que prejudicou a velocidade com que suas economias avançavam. De forma simples, podemos resumir a crise americana como o resultado da falta de transparência diante de operações financeiras.

No entanto, essa conclusão abre um questionamento: se grandes instituições não dispõem de credibilidade, quem terá? A história da economia mundial nos mostra que, para uma moeda ter valor, é necessário que ela possua lastro.

Na antiguidade, isso era possível utilizando metais preciosos, como a prata. Atualmente, esse lastro está ligado à credibilidade e à solidez da economia de uma nação, pois as moedas são regulamentadas por um Banco Central que garante confiabilidade àquele sistema financeiro.

Em 2008, ano da crise, algumas pessoas entenderam que os bancos não tinham como garantir — e nem como monopolizar — a credibilidade das transações financeiras. Esse cenário favoreceu o desenvolvimento do conceito de criptomoedas.

O surgimento do Blockchain

De acordo com um relatório publicado pela empresa Hootsuite, mais de 4 bilhões de pessoas estão conectadas à internet. Todos esses dispositivos somados criam uma capacidade de processamento de informação impressionante.

No ano de 2008, Satoshi Nakamoto entendeu esse potencial de processamento como uma alternativa para revolucionar o mercado financeiro. Na prática, ele compreendeu que uma transação financeira poderia ser feita de forma digital, sem que um banco atuasse como intermediário.

Para isso, seria necessário criar uma moeda totalmente digital, o Bitcoin. Esse dinheiro não existiria de forma física e o que validaria a transação seria uma espécie de auditoria composta por pessoas comuns.

Essas pessoas ganhariam uma porcentagem ínfima da nova moeda em troca do serviço prestado. Quanto mais transações legitimassem, mais lucro teriam. Para evitar que houvesse uma inundação de Bitcoins no mercado, essa validação só seria possível resolvendo complexos problemas matemáticos.

A essa atividade, damos o nome de “mineração”. Como são muitas pessoas minerando bitcoins, a transação ocorre de forma rápida. Cada uma é registrada em um bloco de informações, chamado de blockchain.

As informações gravadas nesse sistema podem ser acessadas por qualquer pessoa. Isso dá ainda mais transparência às operações. Além disso, não há como apagá-las ou modificá-las. Para hackear uma transação registrada no blockchain, é necessário alterar todas as operações anteriores àquela, de forma simultânea. Isso faz com que seja impossível alterar esses dados.

Antes de falarmos sobre as outras características dessa tecnologia, é importante esclarecer que ainda pairam algumas dúvidas sobre a identidade do criador do sistema, Satoshi Nakamoto. Até hoje, não foi possível comprovar se ele é real ou um pseudônimo. Agora, vamos entender como essa tecnologia contribui para o avanço do mercado financeiro?

O acesso facilitado a serviços financeiros

De acordo com informações divulgadas pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola da ONU (Fida), os imigrantes enviam cerca de US$ 500 bilhões aos seus países de origem. É lógico que essa transferência precisa ser feita por um sistema bancário.

O problema é que nem todos os imigrantes podem usá-lo. Em alguns países, é necessário ter visto de permanência para se ter uma conta em um banco. Além disso, as taxas cobradas pelo serviço podem ser altas quando comparadas aos valores que serão transferidos.

Por isso, muitos imigrantes recorrem a terceiros, em situação regular no país, para que façam as transferências. Isso pode colocá-los sob o risco de serem roubados. Ao usar as criptomoedas, nada disso é necessário.

Um imigrante na Europa consegue transferir dinheiro para a sua família na América Latina usando um aplicativo de celular que usa o blockchain para validar a transação. Todo esse processo é concluído em minutos, porque não existe a comunicação entre bancos, mas entre pessoas — ou seja, há otimização no tempo do processo.

A descentralização das informações

De vez em quando, somos surpreendidos com notícias que relatam o vazamento de informações. Grandes empresas, como o Facebook, o LinkedIn e o Yahoo já foram vítimas de ataques cibernéticos que expuseram informações sobre os seus usuários.

Ao mesmo tempo, as transações financeiras digitais sempre foram alvos de criminosos que se passam por funcionários de agências, criam sites idênticos aos dessas empresas ou invadem seus sistemas para pode lesar as pessoas.

Isso só é possível porque esses dados estão centralizados, armazenados nos servidores dessas companhias. Como vimos neste artigo, o blockchain é descentralizado, operando em milhões de computadores em todo mundo.

Dessa forma, torna-se impossível um ataque hacker porque o criminoso teria que invadir milhões de computadores ao mesmo tempo sem ser notado. Além disso, as transações são todas criptografadas.

A redução dos gastos com tarifas

As taxas de serviços bancários representam um ônus que pesa no orçamento dos clientes de instituições financeiras. Para evitar esses gastos, muitos preferem não usar esses serviços e ficam sem acesso a financiamentos, empréstimos e pagamentos on-line, por exemplo.

Esse custo também recai nos clientes empresariais, pois seus processos financeiros exigem o uso dos serviços bancários. Imagine o quanto as companhias poderiam economizar se pudessem pagar seus funcionários por um sistema seguro, rápido e mais barato como os usados pelas criptomoedas!

Além dessa otimização nos custos de operações, quantas pessoas que não têm acesso aos serviços bancários poderiam se tornar clientes dessas empresas fazendo seus pagamentos por um sistema como esse?

Como vimos neste artigo, as criptomoedas e o blockchain trazem possibilidades para aumentar o volume de dinheiro disponível na economia, democratizar o acesso a serviços bancários e aperfeiçoar a segurança dessas transações.

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