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Capital de giro: o que é e como calcular?

Capital de giro: o que é e como calcular?

O capital de giro, basicamente, é um montante de recursos financeiros que a empresa necessita para que ela continue funcionando e explorando a sua atividade. É de extrema relevância para a saúde financeira e para a sustentabilidade do negócio.

Ele é o responsável por manter as operações de uma empresa, principalmente quando o recebimento das vendas ou prestações de serviços são postergados e falta dinheiro em caixa para que ela possa cobrir suas despesas básicas.

Para Dolabella, um dos mais nomeados autores da área, o capital de giro é visto da seguinte maneira:

São os recursos financeiros aplicados pela empresa na execução do ciclo operacional de seus produtos, recursos estes que serão recuperados financeiramente ao final deste ciclo.

Portanto, é o que dá suporte financeiro para a empresa até que ela receba pelas suas vendas.

Neste artigo, você entenderá a importância do capital de giro para um negócio, os diferentes tipos e aprenderá como calculá-los por meio de uma explicação simples e didática. Confira!

A importância do capital de giro para as empresas

Você já entendeu que o capital de giro é o montante de recursos financeiros necessários que visa a manutenção de um negócio. Essa definição já é suficiente para mostrar o quão essencial ele é para a sua empresa.

Ele é importante quando a gestão da empresa deseja realizar um investimento que começará a gerar retorno em uma data futura. Assim, ele cobrirá os gastos existentes até o momento em que o capital investido possa ser revertido em faturamento para a empresa.

O capital de giro também é muito importante nas vendas ou prestação de serviços a prazo, uma vez que os valores nesse tipo de operação são recebidos somente quando ocorre o vencimento.

Outra utilização importante do capital de giro está relacionada aos clientes inadimplentes. Quando uma empresa tem esse lastro de capital, ela pode utilizar os valores para cobrir vendas realizadas e não pagas até que a liquidação, por parte do cliente, seja realizada.

O capital de giro é uma ferramenta que garante a operacionalização do negócio, mesmo diante de períodos com escassez de recursos para manter suas despesas básicas. Sendo assim, é crucial que você, enquanto empresário, saiba como calcular e constituir o capital de giro essencial para o seu negócio.

Os riscos de não controlar o capital de giro

Mesmo sabendo da importância de manter um capital de giro, muitos empresários optam por ignorar essa etapa e não fazer um controle sobre esses recursos. Em casos como esses, de gestão ineficiente, é muito provável que a empresa fique sujeita a condições que podem comprometer seu desempenho financeiro.

O negócio fica vulnerável e à mercê da entrada do dinheiro para dar seguimento às suas atividades. Além disso, acaba recorrendo a soluções como empréstimos e financiamentos de bancos e outras instituições para conseguir pagar as contas.

O grande problema nisso tudo é que a empresa precisa assumir os custos desses serviços, geralmente altos e acompanhados de inúmeras taxas. Em curto prazo, a empresa obtém o dinheiro de que precisa. Mas, em longo, assume uma dívida significativa que ficará comprometendo seu orçamento por um bom tempo.

O modo como você pode controlar o capital de giro

Para quem não está disposto a passar por esses problemas e quer começar a se organizar o quanto antes, vamos ensinar como fazer isso. O primeiro passo, é claro, é aprender sobre capital de giro, pois isso fará com que você conheça profundamente o conceito, o cálculo e a sua utilidade.

Depois, é preciso garantir condições internas favoráveis para fazer com que o dinheiro sobre e você reúna o capital de giro necessário para a manutenção do negócio.

Para isso, você deverá voltar a sua atenção para alguns aspectos importantes:

  • clientes inadimplentes;
  • adequação dos processos financeiros;
  • negociação de dívidas de longo prazo;
  • fluxo de caixa;
  • ciclo financeiro;
  • gestão de estoque;
  • redução de custos e despesas.

Se você cuidar de cada um desses itens e souber exatamente o impacto que eles possuem no orçamento empresarial, você poderá começar a se concentrar no valor necessário para a sua empresa manter um bom capital de giro e garantir a sua saúde financeira.

A opção dos empréstimos e cartas de crédito

É claro que se você não quiser se responsabilizar por todas essas etapas de controle e monitoramento ou enfrentar algum imprevisto grave que afete o fluxo de caixa do negócio, pode simplesmente assumir os riscos e recorrer a empréstimos e cartas de crédito.

Essas opções podem se tornar verdadeiras tábuas de salvação em situações bem específicas. No entanto, nem sempre isso é recomendado e pode ser uma péssima decisão estratégica, especialmente se você ainda está em tempo de organizar as finanças e fazer um planejamento eficiente.

Empréstimos e financiamentos são concedidos mediante algumas regras rígidas e, geralmente, vêm acompanhados de altas taxas de juros. A grande questão nisso tudo é que a empresa pode demorar muito tempo para conseguir quitar suas dívidas, o que compromete bastante a lucratividade do negócio.

A diferença entre capital de giro e investimento fixo

Apesar de apresentarem funções e definições distintas, tanto o capital de giro quanto o investimento fixo são conceitos necessários para o funcionamento saudável de qualquer tipo de empresa. Contudo, muitos gestores ainda os confundem.

O investimento fixo refere-se às despesas iniciais para que um negócio funcione, englobando todos os bens necessários para isso, como os equipamentos e maquinários. Então, quando a empresa é fundada, é preciso estimar qual será o investimento fixo necessário.

Essa deve ser uma das primeiras etapas de um planejamento financeiro empresarial, mesmo que a companhia já exista, já que é com essa projeção que todo o patrimônio será documentado.

Com isso, pode-se perceber a principal diferença entre os dois conceitos, uma vez que o capital de giro corresponde aos valores monetários que se têm em caixa, nas contas a pagar e a receber, no seu estoque ou na conta corrente; e o investimento fixo é sobre os bens e patrimônios. Sendo assim, apesar de diferentes, os dois devem caminhar juntos no planejamento de gestão financeira da sua empresa.

O capital de giro líquido

Aprofundando um pouco mais no assunto, você encontrará o termo: capital de giro líquido (CGL). Este conceito trata do valor que você precisa para que cumpra com todos os compromissos financeiros em curto prazo.

Também conhecido como capital circulante líquido, esse conceito é utilizado como indicador para gerenciar e conhecer todas as capacidades de pagamento do negócio, permitindo a administração das relações com os fornecedores e clientes.

Sabe-se que toda e qualquer tipo de empresa precisa de recurso (dinheiro) para manter a fluidez das suas atividades e, consequentemente, garantir que fique ativa no mercado. Então o CGL pode ser considerado como uma “folga” financeira que permite o funcionamento da companhia e do seu estoque de maneira eficiente. Com isso, para calculá-lo, é preciso levar em consideração o ativo circulante (AC) e o passivo circulante (PC), que são conceitos em comum entre o capital de giro e o capital de giro líquido.

O capital de giro próprio

O capital de giro próprio (CGP) é definido como a variável que indica o volume de recursos próprios da empresa. Sendo assim, dependerá do comportamento das contas do Patrimônio Líquido e do Ativo Permanente.

Com este conceito, será revelado o volume de capital próprio da empresa que está finalizando o AC e o realizável a longo prazo. No entanto, é preciso ressaltar que não identificará rigorosamente todos os recursos da empresa.

Os elementos de cálculo do capital de giro

O cálculo do capital de giro é bem simples, no entanto, requer certo nível de controle nas finanças da sua empresa.

Você precisará de alguns elementos essenciais de despesas e custos para determinar o valor do capital de giro mínimo para o seu negócio. Por exemplo:

  • energia elétrica;
  • aluguel;
  • funcionários;
  • material de escritório e de limpeza;
  • despesas diversas, como água, telefone, internet e seguros;
  • previsão de tributos;
  • despesas com serviços contínuos (contabilidade, assessoria jurídica, softwares de gestão, etc.);
  • parcelas de empréstimos e financiamentos em andamento.

Enfim, todas as despesas e custos que acontecerão independente de sua empresa obter um recebimento em determinado período. De posse dessas informações, passaremos para a próxima etapa: o cálculo.

O cálculo do capital de giro

Feito o levantamento de todas as despesas existentes na empresa, é chegado o momento do efetivo cálculo do capital de giro, o que é bem simples de ser realizado.

Para exemplificar, criaremos uma situação hipotética de uma empresa de prestação de serviços que apurará o capital de giro necessário para um ano específico. A partir disso, foram apurados os seguintes valores de gastos mensais:

  • energia elétrica: R$ 150,00;
  • aluguel: R$ 500,00;
  • água, telefone e internet: R$ 250,00;
  • folha de pagamento: R$ 15.000,00;
  • materiais de escritório e limpeza: R$ 300,00;
  • previsão de tributos: R$ 800,00;
  • gastos com serviços contínuos: R$ 1.500,00.

Assim, o valor do capital de giro que essa empresa precisará para se manter ativa é de R$ 18.500,00 ao mês.

Algumas empresas que recebem pagamentos recorrentes podem inserir esses valores em seu cálculo do capital de giro com o objetivo de reduzir os gastos. Ou seja, suponhamos que essa mesma empresa recebe mensalmente de alguns clientes o valor de R$ 5.000,00. Nesse caso, ela poderá deduzir a previsão de recebimento mensal no cálculo do seu capital de giro. Assim, o valor seria de R$ 13.500,00.

No entanto, é importante que esse recebimento seja recorrente e garantido. Você não pode considerar para esse cálculo o recebimento de clientes que costumam ser inadimplentes.

O cálculo do capital de giro líquido

capital de giro líquido é o resultado dos valores do ativo circulante pelos do passivo circulante. Então, para calculá-lo, basta seguir a fórmula: CGL = AC – PC.

O ativo circulante é referente ao dinheiro em caixa, às aplicações financeiras, contas a pagar e a receber, estoques, despesas, matérias-primas, títulos, depósitos bancários, movimentações bancárias e despesas antecipadas. Portanto, são os bens e direitos que podem ser convertidos em dinheiro em curto prazo.

Já o passivo circulante são todas as obrigações que, normalmente, devem ser pagas dentro do período de um ano, como empréstimos bancários, dívidas com fornecedores, provisões e algumas contas a pagar.

O cálculo do capital de giro próprio

Apesar de parecer um pouco mais complexo, o capital de giro próprio pode ser facilmente encontrado por meio da fórmula: CGP = AC – PC – ELP.

ELP ou Exigíveis a Longo Prazo são as dívidas que a sua empresa tem e que devem ser liquidadas após o exercício financeiro seguinte, que é referente a um ano civil corrido. São consideradas as duplicatas a pagar, impostos a serem recolhidos e demais obrigações com terceiros.

Enfim, o capital de giro é um importante indicador dos seus recursos. Por meio dele, você saberá o valor necessário para que a sua empresa funcione e cresça de maneira saudável e linear.

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