Para manter a organização de uma empresa no mercado financeiro, que tem processos tão complexos, é necessário implantar (e seguir) regras, políticas e leis. Uma delas é o compliance bancário. Atender a tais diretrizes é fundamental para evitar problemas com a segurança de dados e a legislação do seu setor de atuação.

No entanto, muitos gestores não conhecem ou acabam negligenciando as instruções de compliance em uma organização. Eles somente se dão conta da importância dessa questão quando surgem problemas fiscais ou de bloqueio dos processos da instituição financeira.

Toda a estratégia de prevenção às práticas ilícitas tem sido ainda mais importante quando consideramos o cenário da automatização de processos, da globalização e das exigências éticas. Confira o conteúdo a seguir para entender do que se trata o termo compliance bancário e descobrir como manter o setor com os processos em dia e regulamentados.

O compliance bancário

Compliance é uma palavra originada do termo “to comply”, ou seja, estar de acordo com alguma orientação, regra, comando ou política. Então, compliance bancário significa ficar em conformidade com regulamentos, leis e diretrizes, sejam eles internos, sejam externos.

Sua função é evitar, detectar e tratar todos e quaisquer desvios, ilegalidades e inconformidades nas operações da empresa. Portanto, trata-se de uma ferramenta de apoio valiosa para os gestores e responsáveis por cuidados como:

  • tratamento de informações;
  • segurança;
  • gerenciamento de riscos;
  • conduta ética e demais controles;
  • confiabilidade dos dados (inclusive em relação à lavagem de dinheiro).

Devido às características do mercado financeiro, que vêm se alterando com o passar dos anos e o surgimento de novos processos, o compliance bancário tem forte influência como estratégia consultiva — e não somente preventiva ou de detecção.

Afinal, ao estar de acordo com políticas, diretrizes e legislações, o negócio terá um processo decisório mais eficiente quando se trata de estratégias para a prevenção de riscos e a determinação de valores ou missões dentro do banco.

O departamento de compliance nos bancos e suas atribuições

Devido à grande expansão, importância e atuação do compliance bancário, muitas instituições financeiras já atuam com um setor inteiramente responsável por garantir a adequação de leis e regulamentos. Isso ocorre principalmente na intenção de evitar roubos de dados e multas aplicadas pelo governo.

Os Estados Unidos foram os primeiros a sugerirem e aplicarem um departamento exclusivamente voltado às atividades de compliance. Esse modelo já é adotado por muitas das grandes corporações.

Entre as tarefas dos profissionais, destacamos o bloqueio da transação ou conta em caso de detecção de riscos ou procedimentos suspeitos. Isso pode ser feito em conta corrente, poupança e até contas de investimentos financeiros. Tais atitudes são tomadas na tentativa de evitar ou minimizar prejuízos administrativos e financeiros ao banco.

O departamento de compliance das instituições financeiras também atua na prevenção de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos ou atividades fora da conformidade com a ética e a política do banco, que sejam suspeitas, ilegais ou fuga de dívidas.

A implantação do compliance bancário

Para implantar o compliance bancário, é necessário mudar toda a cultura da instituição, para que controles mais rígidos e seguros sejam adotados. O mais indicado é que a alta administração seja a responsável por disseminar a cultura do compliance, bem como adequar a empresa e oferecer as ferramentas necessárias ao gerenciamento de riscos e adequações.

Essa responsabilidade deve contemplar:

  • aprovação da política de compliance (se estiver de acordo com as legislações e regulamentações);
  • adequação à gestão de acordo com as medidas de compliance;
  • comunicação a todos da equipe, incluindo parceiros e prestadores de serviço, sobre a política de compliance;
  • divulgação da conduta ética como cultura do banco.

Outro ponto fundamental para o sucesso do compliance bancário é a padronização e gestão de processos. Todos da instituição devem ter padrões para tratar os riscos, fazer inventários e desenvolver o gerenciamento e a resolução do problema.

Isso fará com que todas as etapas dos procedimentos sejam mais eficientes e os desafios possam ser tratados levando-se em consideração a política do banco. Contudo, para que essa estratégia seja desempenhada com sucesso, é necessário que toda a equipe, desde o atendimento até a alta administração, esteja engajada e em pleno conhecimento e treinamento sobre o compliance.

Afinal, é preciso identificar riscos e desconformidades desde a linha de frente — ou seja: durante o processo de análise e aprovação de contas ou transações financeiras, por exemplo.

A política do compliance bancário

A política do compliance bancário é um conjunto de procedimentos que contempla as diretrizes a serem seguidas, a definição das responsabilidades e do pessoal encarregado, além dos meios de comunicação entre a equipe e a alta administração.

Sendo assim, essa política deve ser estruturada levando em consideração os riscos da sua área de atuação, o porte da instituição financeira e a complexidade das informações que são recebidas, processadas e tratadas.

A execução e a transparência do compliance bancário

Após a definição das responsabilidades e ferramentas para o monitoramento e a adequação ao compliance bancário, é preciso garantir a conformidade com os processos da instituição. Para tanto, é fundamental implantar um processo que sinalize toda e qualquer alteração nos procedimentos da instituição.

Há, ainda, a definição de ferramentas tecnológicas que permitam mensurar quantitativamente os riscos, desenvolver marcadores de nível de risco e analisar os cenários que envolvem o problema.

Para manter a transparência de todas as estratégias, diretrizes, políticas e desafios encontrados, é indicado que tudo seja documentado e a equipe tenha acesso ao material. Isso auxiliará no momento de identificar as inconformidades e inconsistências das informações, bem como orientar o profissional sobre como proceder e limitar seu trabalho sobre as questões que realmente importam.

Por fim, vale destacar a necessidade de sempre rever os planos de ação e as políticas de compliance, pois os processos, as necessidades, as estruturas e os perfis de risco da instituição financeira se alteram com o tempo e a evolução dos serviços. Portanto, a revisão é parte fundamental para que o banco se mantenha em pleno acordo com os órgãos regulamentadores e a missão do negócio.

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