Uma empresa que apresenta resultados negativos está em uma situação delicada. No entanto, o que muitos empresários não sabem é que um saldo positivo, em determinado momento, pode mascarar um problema. Para evitar esse engano, o empreendedor pode usar duas ferramentas simples: o fluxo de caixa e o DRE.

Manter um acompanhamento rigoroso sobre os processos financeiros de um negócio é uma tarefa fácil atualmente, pois existem soluções tecnológicas desenvolvidas especialmente para esse tipo de questão empresarial.

Apesar dessa facilidade, muitas empresas ainda enfrentam dificuldades ao analisar seus números, não entendendo o porquê dos prejuízos. Por esse motivo, este post pretende ajudar você a entender como o fluxo de caixa e o DRE podem revelar a situação da sua empresa. Boa leitura!

Fluxo de caixa e DRE: como entender os números da empresa?

Como uma ferramenta bastante comum, o fluxo de caixa pode, inclusive, ser usado no orçamento familiar. Trata-se de constante subtração dos gastos sobre os valores ganhos com o objetivo de verificar a capacidade da empresa de honrar seus compromissos e gerar receita.

Com o fluxo de caixa, é possível planejar melhor os gastos, uma vez que os custos previstos estão mapeados, além de saber quais ativos a empresa receberá (por exemplo, o recebimento de vendas feitas a prazo).

Além disso, o negócio ganha segurança financeira ao ter um fluxo de caixa detalhado, pois os gastos são identificados, de modo a detectar possíveis desperdícios.

Outro ponto importante é a segurança na tomada de decisões, afinal, os líderes podem se basear no fluxo de caixa para saberem os riscos relacionados a novos investimentos, como compra de equipamentos.

No entanto, existe um estudo contábil mais detalhado, que usa as informações do fluxo de caixa como base: o Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE).

O que é o DRE?

Com o objetivo de tornar transparentes os ganhos e custos durante um determinado período, o Demonstrativo do Resultado do Exercício ou DRE é uma ferramenta determinada por lei.

Ele proporciona uma análise vertical e pode indicar se a empresa conseguiu atingir lucro ou se está no prejuízo. O ideal é que o seu cálculo seja feito pelo menos a cada mês.

Dito isso, o DRE costuma ter os seguintes componentes: receita operacional bruta; receita operacional líquida; lucro bruto; deduções e impostos; lucro bruto antes dos impostos; valores de Imposto de Renda e de Contribuição Social sobre Lucro Líquido; despesas fixas; custos dos produtos ou serviços; lucro líquido.

Como calcular o DRE?

Vamos entender como calcular o DRE com um exemplo. Suponhamos que a empresa X teve faturamento de R$ 100 mil.

O 1º passo é subtrair desse valor todos os impostos relacionados à empresa e que precisarão ser pagos. Nesse exemplo, o valor é R$ 5 mil. A empresa X tem, então, R$ 95 mil de lucro bruto.

O próximo passo é descontar do lucro bruto o valor das despesas variáveis. Despesas variáveis são aquelas que se alteram de acordo com os resultados do negócio. Os gastos com fornecedores são um exemplo.

No caso da empresa X esse ônus foi de R$ 40 mil. Ou seja, essa empresa tem R$ 55 mil de lucro operacional. Se o resultado for negativo, significa que a empresa está, literalmente, pagando para trabalhar.

Chegou a hora de descontar o valor das despesas fixas, aquelas que não dependem do desempenho da empresa — como aluguel, internet, energia elétrica etc. Neste caso, elas somam R$ 20 mil. Chegamos ao valor de R$ 35 mil.

Agora é o momento de subtrair os gastos com pessoas, incluindo o pró-labore dos sócios. O resultado é o Lucro Líquido do Período (LLP).

Como interpretar o DRE?

A análise vertical será um bom parâmetro para saber quais foram as maiores despesas e também para avaliar se a empresa está caminhando para o prejuízo.

Outra forma de interpretar essa ferramenta é utilizando-a junto com relatórios passados. Nesse caso, é possível até fazer uma comparação com os períodos de lucros anteriores, assim como as receitas e os custos de outros meses.

Fluxo de Caixa e DRE: como avaliar a liquidez do negócio?

Liquidez é a capacidade de transformar ativos em capital. Quanto mais fácil essa tarefa, maior a liquidez do ativo. O imóvel em que fica a sede da empresa, por exemplo, tem baixa liquidez, porque pode levar meses para conseguir vendê-lo.

Quando empresário usa o fluxo de caixa e o DRE para saber a situação financeira da empresa, ele descobre a capacidade do negócio de pagar suas contas — algo que está diretamente ligado à capacidade de investimento e que pode definir o crescimento do empreendimento.

Como melhorar o fluxo de caixa da empresa?

Como vimos, tanto o DRE quanto o fluxo de caixa podem trabalhar juntos para melhorar a gestão da empresa. Ao mesmo tempo, um fluxo de caixa com problemas pode gerar prejuízos nas contas. Por isso, separamos aqui algumas dicas de como é possível melhorar esse recurso. Confira!

Crie estratégias para acelerar o pagamento dos clientes

A empresa pode adotar algumas medidas para estimular o cliente a pagar rapidamente, sendo o desconto uma das principais.

A grande estratégia aqui é oferecê-lo com valores não muito altos, para que você não saia no prejuízo. Descontos de 2% a 4% para pagamentos de até dez dias, por exemplo, são uma boa pedida. Assim, o cliente consegue uma fatura mais barata e sua empresa obtém uma melhora no fluxo de caixa.

Organize o estoque

O estoque é um fator muito importante para a empresa. Independentemente do tamanho do seu empreendimento, a organização dos itens é fundamental. Isso inclui avaliar a quantidade de produtos e se é realmente necessário ter esse volume no estoque. Dessa forma, não se desperdiça investimento.

Consolide empréstimos

Nesse caso é o momento de reavaliar bem os empréstimos que sua companhia tomou. Rever as taxas e as condições é um passo importante, porque é a chance de tentar consolidá-los em uma só conta e, assim, conseguir juros mais baixos.

Não se restrinja a aumentar prazos para obter mensalidades menores. Renegociar suas dívidas a fim de obter condições melhores é uma ótima maneira de melhorar o seu fluxo de caixa.

Tenha um sistema de gestão financeira

É claro que é possível fazer o fluxo de caixa utilizando apenas uma planilha. No entanto, um sistema de gestão financeira otimizará o seu trabalho e proporcionará um controle e possibilidades de análise muito maiores.

Além disso, há muitos softwares de gestão que oferecem armazenamento em nuvem e todos os resultados podem ficar guardados com segurança. É um investimento bastante interessante, pois facilita e agiliza o seu fluxo de caixa e ainda pode ajudar na criação e análise de relatórios de desempenho da empresa.

Com as informações encontradas aqui, deu para entender bem como funciona o fluxo de caixa e DRE, não é? Então, se você gostou deste post, siga-nos no FacebookTwitterLinkedIn para receber informação no seu feed!